Pacto Global da ONU – Objetivo 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável

O combate à fome e o questionamento sobre como são produzidos os alimentos que chegam à nossa mesa são assuntos que sempre voltamos a refletir. Com o avanço social e tecnológico somos inseridos em processos cada vez mais complexos e abstratos para suprir nossas necessidades básicas. São tantas as etapas que o alimento perpassa, desde a seleção da semente, que pode ou não ser modificada geneticamente, até a nossa forma de consumir. Muitas variáveis contribuem para o distanciamento da consciência de que nossas escolhas impactam em todo ecossistema da alimentação. Afinal, como um cacho de banana apodrecendo na fruteira poderia contribuir para que as pessoas passem fome no Brasil?

Segundo dados divulgados pelo IBGE em setembro de 2020, tivemos um aumento de cerca de 3 milhões no número de pessoas sem acesso regular à alimentação básica, nos últimos 5 anos, chegando a aproximadamente 10,3 milhões de brasileiros vivendo em lares nessa situação. A quantidade descartada no Brasil por ano – 15 milhões de toneladas – alimentaria toda a população do país por 47 dias.

Traçando um raciocínio simplório e reducionista podemos entender alguns motivos para que o desperdício resulte na fome. Quando um alimento não é consumido geralmente é descartado de maneira incorreta, junto com lixos inorgânicos. Dessa forma, ele dificilmente é reintroduzido ao meio ambiente para nutrir o solo. Enquanto isso, faz-se necessário uma hiperprodução por parte da indústria para suprir o déficit desse desperdício, aumentando o desgaste do solo e contribuindo para a escassez de recursos, colaborando assim para que muitas famílias não tenham acesso a alimentos.

Assim como os desafios para combater a fome e o desgaste ambiental proveniente da indústria alimentícia englobam todo ecossistema de produção, as soluções para uma alimentação sustentável também deve passar por todas as etapas. Ficar atento aos alimentos que desperdiçamos é uma delas. Outra maneira é observar a origem dos produtos que consumimos. Onde compramos? Qual o caminho que ele percorreu para chegar a nossa mesa?

Se dinheiro é poder, precisamos nos importar com quem está ganhando cada vez mais na nossa sociedade. Quando escolhemos comprar com o grande produtor, dono de diversos pontos de vendas e filiais, devemos entender que aquele grupo de pessoas vai ganhar mais notoriedade, dinheiro e potência no meio social. Devemos, então, deixar de comprar com eles? Não é bem essa é questão. O que devemos é nos atentar a quem são essas pessoas e o que elas fazem com esse poderio.

Qual é a postura delas em relação ao meio ambiente? E as causas sociais? O fato delas terem mais poder impacta positiva ou negativamente o seu meio? Além dessas observações, devemos ser capazes de entender a relação da fome com a má distribuição de renda. Concentrar todo dinheiro na mão de um grupo seleto também é responsabilidade nossa. Quando você deixa de comprar verduras, por exemplo, no supermercado e compra do pequeno produtor da vendinha do bairro, você contribui com a garantia de que aquela pessoa vai ter como se manter.

É importante compreender que a culpa não é do grande produtor, tão pouco do pequeno. Nossa sociedade foi construída em um contexto de exploração e por muito tempo a ascensão social não era uma realidade. Hoje temos conhecimento e meios para virar essa chave e nossas escolhas são primordiais nesse contexto. E o que podemos fazer pela nossa comunidade hoje? Há diversas iniciativas que você pode procurar apoiar. Um exemplo são as feiras orgânicas, em que pequenos produtores ofertam seus produtos | feirasorganicas.org.br |. O principal é procurar se informar. Ser curioso, questionar as marcas e mercados, experimentar formas diferentes de se alimentar e tentar aproveitar ao máximo os produtos.

Tudo que fazemos impacta de alguma forma no mundo, não há muito o que fazer quanto a isso. Entretanto, quando tomamos consciência assumimos a responsabilidade sob esse impacto.

Assessoria de Comunicação